FOTO: Gage Skidmore l Wikipedia Commons
O ‘tarifaço dos EUA‘ ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (15/7), após o governo do presidente Donald Trump confirmar a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer em 22 de julho.
Embora a carne bovina brasileira tenha ficado de fora da nova cobrança, ao lado de produtos como café, laranja e suco de laranja, o anúncio aumenta a insegurança nas relações comerciais entre os dois países e acende um sinal de alerta para o agronegócio brasileiro, especialmente diante da possibilidade de novos desdobramentos nas negociações bilaterais.
Segundo informações da BBC News Brasil, o governo brasileiro reagiu imediatamente e anunciou que irá aplicar a Lei da Reciprocidade, além de levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Carne bovina fica fora da nova tarifa
A lista de produtos atingidos pelo tarifaço dos EUA inclui etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e materiais elétricos. Já a carne bovina, um dos principais produtos da pauta exportadora do agronegócio brasileiro, permaneceu fora da cobrança adicional, assim como café e suco de laranja.
Mesmo assim, especialistas avaliam que o ambiente de incerteza pode afetar decisões comerciais e investimentos, já que os Estados Unidos continuam sendo um mercado estratégico para diversos segmentos do agro brasileiro.
A economista Monica De Bolle afirmou à BBC News Brasil que o impacto econômico direto da medida tende a ser restrito, mas destacou que o episódio evidencia os limites do protecionismo adotado pelo governo americano.
Governo Trump justifica medida por investigação comercial
O tarifaço é resultado de uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo utilizado para apurar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais.
Entre os principais pontos levantados pelo governo americano estão questionamentos sobre o funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, decisões envolvendo plataformas digitais, além de alegações relacionadas ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal.
Segundo o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, as tarifas buscam proteger trabalhadores e empresas americanas e corrigir práticas consideradas injustas. Ainda assim, Washington informou que permanece aberto a novas negociações com o governo brasileiro.
Brasil promete reciprocidade e chama decisão de “marco lastimável”
Em nota oficial, o governo brasileiro repudiou a decisão dos Estados Unidos e afirmou que o dia 15 de julho de 2026 ficará registrado como um “marco lastimável” nas relações entre os dois países.
O Palácio do Planalto informou que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e retomará o tema no âmbito da Organização Mundial do Comércio. Também reforçou que continuará buscando novos mercados para os produtos brasileiros e adotará medidas para reduzir os impactos econômicos da decisão.
Brasil lidera alta das tarifas americanas
De acordo com dados compilados pelo Global Trade Alert (GTA) e divulgados pela BBC News Brasil, caso a medida entre em vigor, o Brasil passará a ser o país que registrou o maior aumento nas tarifas efetivas impostas pelos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
A tarifa efetiva média aplicada aos produtos brasileiros deverá subir para 14,42%, embora a tarifa nominal anunciada seja de 25%. A diferença ocorre porque milhares de produtos permanecem isentos ou sujeitos a alíquotas reduzidas, como é o caso da carne bovina.
Para o setor pecuário, a exclusão da carne bovina da nova lista representa um alívio momentâneo. No entanto, o aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos mantém o mercado atento aos próximos desdobramentos das negociações entre os dois países, que podem influenciar o ambiente de exportações do agronegócio brasileiro.