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Maria-Mole pode causar a morte de mais de 40 mil bovinos por ano no sul do país

Os problemas causados pela planta tóxica foram debatidos em evento virtual realizado nesta terça-feira

Jornalismo Canal do Criador Jornalismo Canal do Criador 1 de dezembro de 2021 às 20h00

Em evento realizado na noite desta terça-feira, 30, em parceria do Instituto Desenvolve Pecuária, com a Embrapa Pecuária Sul e o Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), foi discutido os prejuízos causados pela intoxicação da planta Maria-Mole (Senecio).

A planta é responsável pela intoxicação de animais à campo, causando em bovinos e ovinos uma toxicose evolutiva e irreversível.

O primeiro a falar foi o pesquisador do IPVDF Fernando Castilhos Karam. Inicialmente, o especialista mostrou que existem 131 plantas tóxicas pertencentes a 79 gêneros, sendo que em uma população de 172 milhões de bovinos, 5% morrem anualmente por diversas causas, mas de 10% a 14% desses casos são por plantas tóxicas. 

O especialista salientou que de 30 mil a 42 mil bovinos por ano morrem por causa da Maria-Mole no território gaúcho, o que representa 50% dos óbitos por consumo de plantas tóxicas. “Para ter uma ideia de perda econômica, fazendo uma média de valores por região, é uma grande perda. Se somarmos perdas indiretas pela baixa produção, esse valor aumenta muito”, destacou.

De acordo com o pesquisador, entre os sinais clínicos estão emagrecimento, incoordenação, diarreia intermitente, tenesmo, prolapso retal e agressividade, além de fotodermatite. No Rio Grande do Sul, de 2,97 milhões de ovinos, 15% a 30% morrem de causas naturais, e deste montante, 7,2% são por causa de plantas tóxicas. 

Apresentando números da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), o Senecio já em 2008 era a maior quantidade de surtos registrados. “Se formos ver esta curva na atualidade se mantém de forma igual”, observou.

A lotação animal e a oferta de pasto, conforme Karam, estão entre as condições favoráveis para a intoxicação de plantas. “O Senecio tem quase 3 mil espécies no mundo. A maioria tem flor amarela e existem algumas que não são tóxicas, mas a maioria é. A intoxicação se dá por alcalóides pirrolizidínicos.

A planta existe de São Paulo para baixo. Já no Rio Grande do Sul são 25 espécies que aparecem especialmente na primavera”, explicou, acrescentando ainda que é uma doença evolutiva e sem tratamento com morbidade de até 30% e a letalidade é de 100% sendo a causa número um de mortes de bovinos no Estado.

Para controlar a Maria-Mole, o especialista salienta que entre as medidas estão as roçadas antes da floração, pastoreio ovino, o consórcio de ovinos associados com bovinos e arrancar com a raiz em dias úmidos, cuidando da propagação vegetativa.

Na segunda parte foi a vez do pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Naylor Bastiani Perez, abordando o controle integrado da Maria-Mole e seus resultados. Segundo o especialista, na percepção de anos de estudos se vê um aumento de áreas cultivadas e a redução do rebanho ovino que contribuem para este cenário. 

Em estudo realizado pela Embrapa, a maior perda ocorre em animais de 2 a 3 anos de idade. “Existem variações de alcalóides entre as espécies, e elas encontram em algum momento oportunidade para germinar em especial no Bioma Pampa”, declarou.

Perez relatou que a germinação ocorre durante o frio, sendo que as plantas podem produzir muitas sementes que são transportadas pelo vento, água e máquinas. É necessário fazer a roçada da área, mas com determinados cuidados. “O período de florescimento é o mais recomendado para fazer o corte, pois se tem condições de fragilizar os efeitos da planta.

Mas o descompasso do crescimento e o número de espécies torna difícil e muitas vezes se pega em florescimento e a roçadeira pode ajudar a dispersar outras sementes”, frisou, lembrando ainda que o ideal é tentar fazer com que as sementes da planta não entrem na propriedade.

O pesquisador da Embrapa Pecuária Sul recomenda também uma quarentena para animais que são oriundos de áreas contaminadas, a fim de excretar as sementes do trato digestivo e eliminar as sementes aderidas ao pelo e casco, além disso, é fundamental cuidar do feno contaminado pela Maria-Mole. 

Fonte: Embrapa

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