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O raio-x do consumo de carnes: como os dados de mercado desenham o futuro da pecuária brasileira

Enquanto o frango lidera o crescimento global e a carne suína surpreende com recuperação histórica, a pecuária de corte enfrenta o desafio de entender as novas dinâmicas do consumidor

Carlos Cogo - Especialista em Análises de Mercado Carlos Cogo - Especialista em Análises de Mercado 12 de junho de 2026 às 19h31

Para quem atua na pecuária, entender o comportamento do consumidor final não é apenas uma questão de curiosidade, mas o pilar central de qualquer estratégia de marketing e posicionamento de mercado. Afinal, produzir com eficiência só gera resultados reais se houver sintonia com as gôndolas e as preferências globais. Na análise trazida pelo consultor Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, o cenário das proteínas revela movimentos profundos que exigem atenção dos produtores.

Olhando para o panorama global dos últimos 20 anos, o consumo de carne de frango é o que mais se destaca, crescendo a uma taxa impressionante de 2,7% ao ano. Em segundo lugar vem a carne suína, com 0,9% ao ano, seguida de perto pela carne bovina, que registra um avanço tímido de apenas 0,1% ao ano em escala mundial. Com essa disparidade, o prognóstico dos especialistas é claro: nos próximos cinco a seis anos, o frango deve ultrapassar o suíno e se consolidar como a proteína mais consumida do planeta.

Quando o assunto é o volume ingerido por habitante, o topo do ranking internacional pertence aos Estados Unidos, onde a média chega a impressionantes 123,8 kg de carnes por habitante ao ano. Logo atrás vêm os nossos vizinhos argentinos, com 114,8 kg. O Brasil não fica muito atrás e ocupa a terceira posição mundial, ultrapassando a marca dos 102 kg por pessoa ao ano no somatório das três principais proteínas — um volume muito superior à média mundial, que é de 34,4 kg.

O Cenário no Prato do Brasileiro

A evolução do consumo interno traz lições valiosas para o marketing da pecuária nacional. O frango mantém sua liderança isolada e crescente por aqui: a estimativa atual indica que cada brasileiro deve consumir cerca de 49,6 kg dessa proteína ao ano. Para se ter uma ideia do salto histórico, na década de 1970, esse consumo era de apenas 2 kg por habitante.

Por outro lado, a carne bovina vive um momento de reajuste. Após atingir seu ápice em 2006, com 42 kg por pessoa, a proteína sofreu quedas nos anos seguintes. Atualmente, projeta-se um consumo de 32 kg per capita. Embora o número represente uma reação positiva frente aos anos mais recentes, ele ainda se mantém bem abaixo do recorde histórico de duas décadas atrás.

A grande surpresa do mercado doméstico tem sido a carne suína. Em 1970, o consumo mal passava de 6 kg por habitante; após uma longa trajetória de investimentos em comunicação, saudabilidade e diversificação de cortes, a proteína suína hoje ultrapassa a barreira dos 20 kg (fixando-se em 20,6 kg por pessoa ao ano). Trata-se do melhor desempenho recente e um exemplo claro de como o reposicionamento de um produto consegue mudar os hábitos de consumo de uma nação.

O desenho final do prato brasileiro coloca o frango em primeiro lugar, o suíno em segundo e o boi em terceiro. Compreender essas curvas de preferência é o primeiro passo para o pecuarista direcionar seus esforços de marketing, agregar valor à carne bovina e encontrar novas frentes de competitividade.

*Os dados apresentados aqui foram publicados em 2024 e podem estar desatualizados.

Quer visualizar todos os gráficos dessa análise detalhada e entender ainda mais sobre o mercado de proteínas e insumos? Assista o vídeo abaixo e confira a apresentação exclusiva do consultor Carlos Cogo!

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