FOTO: Junner Schmidt
A pecuária brasileira reúne alguns dos maiores avanços do mundo em sanidade animal, produtividade e sustentabilidade, mas ainda enfrenta dificuldades para comunicar esses resultados ao mercado internacional. A avaliação foi feita por Renato Costa, presidente da Friboi e do conselho da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), durante participação no Fórum Internacional da Pecuária (Fiap) 2026, realizado na última quinta-feira (18/6), em Campo Grande (MS).
Segundo informações divulgadas pelo Canal Rural, o executivo defendeu que o setor precisa fortalecer sua narrativa para combater percepções equivocadas sobre a produção pecuária nacional e ampliar a confiança dos mercados compradores.
“Tem confiança que o que nós produzimos é o de melhor que tem. Tem alguma não conformidade? Exceção. Agora, tratar exceção como regra também é um desafio”, afirmou.
Rastreabilidade é realidade na pecuária brasileira
Um dos temas abordados por Costa foi a rastreabilidade do rebanho bovino. Segundo ele, o Brasil possui mecanismos de controle consolidados há décadas, embora muitos importadores desconheçam a dimensão dessas ferramentas.
O executivo destacou a importância da Guia de Trânsito Animal (GTA), que permite o acompanhamento da movimentação dos animais e contribui para a defesa sanitária nacional.
Para Costa, comparações com países que possuem rebanhos significativamente menores nem sempre refletem a realidade brasileira. O país abriga o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, o que exige soluções compatíveis com sua escala de produção.
Ele também lembrou que, após determinadas etapas do processamento industrial, a rastreabilidade passa a ocorrer por lotes, prática comum dentro da cadeia da carne bovina.
Sustentabilidade precisa ganhar visibilidade
Outro ponto enfatizado durante o Fiap 2026 foi a necessidade de ampliar a divulgação dos resultados alcançados pela agropecuária brasileira em preservação ambiental e cumprimento da legislação.
Na avaliação do presidente do conselho da Abiec, o Brasil produz alimentos de forma responsável e possui uma das legislações ambientais mais rigorosas do planeta. “Brasil produz bem, produz com responsabilidade. O Código Florestal é o mais moderno e mais rígido do mundo”, afirmou.
Costa destacou ainda que o país possui capacidade para expandir a produção de alimentos sem comprometer a conservação dos recursos naturais, uma característica que diferencia o Brasil de muitos concorrentes internacionais. “Temos que melhorar a narrativa de tudo que o Brasil faz bem”, reforçou.
Segurança alimentar abre oportunidades
Durante sua participação no evento, Costa também chamou atenção para o papel estratégico do Brasil na segurança alimentar global.
Com o aumento da demanda mundial por proteínas de origem animal, o país tem potencial para ampliar sua presença nos mercados internacionais, especialmente diante dos avanços tecnológicos e produtivos registrados pela pecuária nacional.
Segundo ele, a Abiec atua em parceria com órgãos do governo federal para defender os interesses da cadeia da carne bovina e buscar novas oportunidades comerciais em mercados estratégicos.
Entre os desafios atuais estão as discussões envolvendo importantes parceiros comerciais, como China, União Europeia e Estados Unidos. “O papel da Abiec é levar essas questões aonde for necessário, mostrando o que o país tem de melhor”, disse.
Produtividade é caminho para o crescimento
Ao falar sobre o futuro da atividade, Costa afirmou que o principal potencial de expansão da pecuária brasileira está no aumento da produtividade dentro das áreas já utilizadas.
Ele destacou os avanços obtidos em genética e nutrição animal, capazes de elevar a eficiência dos sistemas produtivos e aumentar a rentabilidade das propriedades.
Segundo o executivo, melhorias genéticas podem acrescentar entre duas e cinco arrobas por animal, enquanto a ampliação da oferta de insumos como o DDG contribui para a formulação de dietas mais eficientes e competitivas.
Para que esse crescimento seja sustentável, Costa defendeu uma atuação cada vez mais integrada entre pecuaristas e frigoríficos. “Frigorífico não tem boi, assim como pecuarista não tem frigorífico. A gente tem que trabalhar junto na cadeia em prol de um objetivo comum”, concluiu.