FOTO: Divulgação l ABCCC
O Amapá registrou o primeiro nascimento por inseminação artificial da Raça Crioula, um marco para a expansão da genética da raça no Norte do Brasil. A potra nasceu nos primeiros dias de julho, na Fazenda Bela Vista, em Macapá, único criatório de Cavalos Crioulos do estado. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (8/7) pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).
Às margens do Rio Amazonas, a propriedade conta atualmente com cerca de 40 exemplares da raça. O foco do criatório é a comercialização de Cavalos Crioulos para atividades de trabalho nas fazendas da região, reforçando a importância de animais rústicos, funcionais e adaptados a diferentes ambientes produtivos.
Para o gerente-geral da Fazenda Bela Vista, Helson Silva, o nascimento representa um passo importante para estimular novos criadores no estado.
“É um projeto pequeno, porém um divisor de águas para motivar novos criadores”, afirmou. Segundo ele, os animais têm apresentado boa adaptação às condições locais. “Estamos satisfeitos com o animal em si, são rústicos e se adaptaram muito bem. Estamos otimistas com o resultado”, destacou.
Projeto começou em 2023
O nascimento é resultado de um trabalho iniciado em 2023, com atendimento e assistência à propriedade pelo expansionista da ABCCC, Lucas Lau, junto ao gerente de Expansão da Raça, Gerson de Medeiros.
Naquele ano, a equipe visitou a Fazenda Bela Vista, que integra a Faculdade de Medicina Veterinária de Macapá, e promoveu um dia de campo sobre a Raça Crioula. A ação reuniu produtores, estudantes e professores, levando informação técnica e aproximando a associação de criadores e futuros profissionais da região.
Segundo Lucas Lau, o trabalho ajudou a reativar a criação de um produtor que havia parado de criar Cavalos Crioulos em 2014.
“Com o dia de campo, além de falar da raça e do programa de expansão, fomentando conhecimento sobre o Cavalo Crioulo a futuros profissionais no Norte do país, conseguimos também reativar um criador. Agora, em 2026, nasceram os primeiros produtos de inseminação artificial na Raça Crioula no Amapá, fruto deste trabalho”, explicou.
Para Lau, o resultado contempla diferentes etapas do projeto de expansão da raça: o primeiro contato com o criador, a difusão de informações técnicas, a assistência básica e regulamentar e o fortalecimento do vínculo entre criador e instituição.
Helson Silva também destacou o papel da assistência técnica no retorno da criação. “Foi a peça fundamental para a gente retornar. Lucas veio aqui no dia de campo, onde conseguimos reunir mais de 200 pessoas entre produtores, alunos e professores. Sou muito grato a ele”, disse.
Genética de qualidade para ampliar fronteiras
Mesmo com garanhão apto à reprodução na propriedade, a Fazenda Bela Vista optou pela inseminação artificial para dar um salto genético no plantel.
O acasalamento escolhido envolveu uma jovem égua da fazenda, filha de JA Noturno, com material genético congelado fornecido pela Central de Reprodução Equina Löf, localizada em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.
O médico-veterinário Henrique Kurtz Löf, especialista em reprodução equina, participou do projeto dando suporte técnico e fornecendo os materiais necessários para o processo.
Segundo ele, a procedência do sêmen foi determinante para o sucesso do resultado. O material foi coletado, congelado e armazenado em uma central habilitada e certificada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), seguindo critérios rigorosos de regulamentação da atividade.
“Primeiramente, o sucesso desse projeto é graças ao material utilizado. O sêmen foi coletado, congelado e armazenado em uma central habilitada e certificada pelo Mapa, que tem critérios rigorosos sob a regulamentação da atividade”, ressaltou.
Henrique também destacou que o nascimento abre novas fronteiras para o Cavalo Crioulo.
“Estamos abrindo novas fronteiras para o cavalo. Assim como fomos os primeiros a fazer uma exportação de sêmen congelado da Raça Crioula para fora do país, em 2015, seguimos neste trabalho de expandir e levar nossa raça para outros territórios”, afirmou.
Para o especialista, trabalhar com material genético de alto valor exige responsabilidade e qualidade em todas as etapas.
“É uma responsabilidade muito grande trabalhar com material genético de animais de grande valor. A qualidade importa muito para garantir o sucesso final. Ficamos felizes em contribuir com o êxito desse processo”, concluiu.
O nascimento inédito no Amapá reforça o papel da inseminação artificial da Raça Crioula como ferramenta para acelerar o melhoramento genético, ampliar o acesso a linhagens selecionadas e fortalecer a presença da raça em novas regiões do país.