FOTO: Darosa Fotografias
A 24ª Marcha Anual de Resistência terminou neste sábado (27), em Bagé (RS), coroando os campeões da principal prova de resistência do Cavalo Crioulo. Após percorrerem 750 quilômetros, a égua La Dolfina da Gap São Pedro, montada pelo ginete Gonzalo Bonetti, conquistou o primeiro lugar na classificação geral e também venceu a categoria Éguas Maiores de Sete Anos.
Promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) em parceria com o Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos de Bagé (NCCCB), a competição reuniu 80 conjuntos inscritos e registrou o maior número de animais classificados da história da prova, reforçando sua importância como ferramenta de seleção funcional da raça.
Prova destaca resistência e genética do Cavalo Crioulo
A dupla campeã percorreu os últimos 40 quilômetros em 1h47min21s e concluiu toda a prova em 66h37min35s.
Proveniente da Cabanha Ichú, de Santa Vitória do Palmar (RS), La Dolfina da Gap São Pedro já possuía experiência na modalidade. Em 2025, na Marcha realizada em Jaguarão (RS), havia conquistado a terceira colocação. Nascida em 2018, a égua é filha de FM Missioneiro do Cinco Salsos e Doutora de São Pedro, criada por Eduardo Macedo Linhares e apresentada pelo Condomínio Irmãos Flório.
Integrante do condomínio expositor, Diego de Marco Flório destacou a trajetória da campeã. “A La Dolfina, como eu costumo dizer, é a moura dos sonhos. Ela chegou pela amizade que o Cavalo Crioulo nos proporciona, pelos grandes amigos da Gap Genética. Acreditamos muito no potencial dela. Estamos sonhando acordados, faltam palavras para esse momento”, disse.
O ginete Gonzalo Bonetti também comemorou a conquista logo após cruzar a linha de chegada. “Estou muito emocionado, nem consigo descrever. Preciso agradecer à equipe por todo o trabalho e, claro, agradecer a essa égua, que é um espetáculo”, afirmou.
Maior edição da história teve recorde de concluintes
A 24ª Marcha Anual de Resistência reuniu 80 conjuntos e terminou com 49 animais completando o percurso de 750 quilômetros, o maior número de concluintes já registrado pela competição.
Na classificação geral, o segundo lugar ficou com a égua uruguaia Milonga Del Metejon, montada por Afonso Araújo. A terceira colocação foi conquistada por Mazangano Delantera, conduzida por Rodrigo Marques Ignácio Gonçalves, enquanto GAP Mafalda, montada por Filipe Fernandes Garcia Vaz, terminou na quarta posição.
Na categoria Éguas Menores de Sete Anos, a campeã foi Acanhada do Rincão dos Xucros, conduzida por Joana Zambrano dos Santos Silva. Já entre os Cavalos Castrados, o título ficou com Zullú do Rincão dos Xucros, montado por Rodrigo Zambrano.
Marcha reforça a seleção funcional da raça
Além da disputa esportiva, a Marcha Anual de Resistência é considerada uma importante ferramenta de seleção do Cavalo Crioulo, colocando à prova características como rusticidade, resistência física e capacidade de recuperação dos animais.
O presidente da ABCCC, André Luiz Narciso Rosa, que também participou da competição montando a égua Rescatada La Calavera, destacou a experiência vivida durante a prova.
“É impressionante o que essa prova faz com a gente. É muita resiliência e poder de recuperação. Eu nunca tinha corrido aqui, a pista é maravilhosa. O Cavalo Crioulo supera tudo. Essa égua fez tudo, eu sou coadjuvante. Admiro muito essas pessoas que, a cavalo, nos ensinam todos os dias a sensibilidade e o dom que precisamos ter para estar aqui.”
A tradição da prova também foi mantida com a homenagem ao médico-veterinário e criador bageense Paulo Gomes Moglia, reconhecido pela contribuição ao desenvolvimento da raça.
“A principal característica da raça Crioula é a rusticidade e resistência, por isso esses animais aguentam as intempéries. A marcha é uma ferramenta de seleção da raça, que evoluiu muito.”
Ao encerrar mais uma edição histórica, a 24ª Marcha Anual de Resistência reforçou sua relevância para os programas de melhoramento genético e para a valorização das características funcionais do Cavalo Crioulo, reunindo criadores, ginetes e animais de alto desempenho em uma das provas mais tradicionais da equinocultura brasileira.