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Afecções de casco: problema afeta desempenho e gera prejuízos ao pecuarista

Problema foi a segunda principal causa de morbidade nos confinamentos em 2025 e também pode reduzir a produção de leite; prevenção passa por manejo, nutrição e cuidados com o ambiente

Cassia Carolina Cassia Carolina 13 de agosto de 2026 às 20h20

As afecções de casco merecem atenção dentro da porteira. Além de provocarem dor e comprometerem o bem-estar dos animais, essas enfermidades podem reduzir o ganho de peso de bovinos de corte, afetar a produção de leite e ainda acrescentar despesas com medicamentos e manejo ao custo da propriedade. As informações foram divulgadas pela Scot Consultoria.

O problema ganhou destaque nos confinamentos brasileiros. Segundo informações da Scot Consultoria, com base na pesquisa expedicionária Confina Brasil 2025, as afecções de casco apareceram como a segunda principal causa de morbidade relatada nos confinamentos pesquisados.

Embora tenham relevância entre os animais destinados à produção de carne, as doenças que atingem os cascos também representam um desafio para a pecuária leiteira, principalmente porque podem comprometer a locomoção e, consequentemente, o desempenho produtivo.

O que causa as afecções de casco em bovinos?

Não existe uma única causa para o problema. As afecções de casco em bovinos têm origem multifatorial e podem estar relacionadas a fatores nutricionais, metabólicos, ambientais e de manejo.

Entre os pontos de atenção estão os distúrbios nutricionais e metabólicos, como a acidose ruminal. O quadro pode desencadear laminite, condição que causa dor e claudicação e ainda deixa o animal mais suscetível ao desenvolvimento de lesões secundárias, entre elas a úlcera de sola e a doença da linha branca.

As condições do ambiente também fazem diferença. Locais úmidos, com higiene inadequada e acúmulo de matéria orgânica, criam condições favoráveis à proliferação de bactérias associadas a problemas como dermatite interdigital e erosão de talão.

Traumas, pressão excessiva exercida sobre os cascos e baixa qualidade do tecido córneo completam a lista de fatores capazes de favorecer o aparecimento ou agravar essas enfermidades.

Claudicação é um dos principais sinais de alerta

Identificar o problema rapidamente pode ajudar a evitar a evolução das lesões. Entre os sinais mais comuns estão claudicação, aumento da temperatura na região afetada e inchaço.

Nos quadros mais avançados, o pecuarista também pode observar deformações nos cascos, feridas com presença de pus e até necrose.

A mudança de comportamento é outro sinal importante. Com dor e dificuldade para caminhar, o bovino tende a permanecer mais tempo deitado e reduzir sua movimentação. A consequência pode aparecer diretamente nos índices produtivos da fazenda, seja por meio de menor ganho de peso no gado de corte ou pela queda na produção entre os animais leiteiros.

Quanto pode custar o tratamento?

Além da perda de desempenho, as afecções de casco podem gerar gastos diretos com o tratamento dos animais.

De acordo com levantamento apresentado pela Scot Consultoria, o tratamento pode envolver casqueamento, limpeza dos cascos e, quando necessário, curetagem para retirada de tecidos mortos. Dependendo do quadro, também pode ser adotado tratamento tópico ou sistêmico, sempre de acordo com a avaliação e orientação do médico-veterinário.

Em um dos exemplos calculados pela consultoria, considerando um bovino de 12,5 arrobas, equivalente a 375 quilos, o tratamento sistêmico com ceftiofur durante três dias representou custo estimado de R$ 16,26 por animal, considerando os preços levantados em julho.

Já o uso complementar de meloxicam 2% teve custo calculado em R$ 22,67 por dose para um bovino do mesmo peso.

A estimativa apresentada pela Scot Consultoria apontou custo médio de R$ 34,93 por bovino de 12,5 arrobas no período analisado. O valor ajuda a dimensionar o impacto financeiro da enfermidade, principalmente quando o problema atinge vários animais dentro de um mesmo sistema produtivo.

Os custos podem ir além dos medicamentos. Perdas de desempenho, necessidade de manejo adicional e redução da produção também devem entrar na conta do produtor.

Prevenção começa no manejo

Diante dos impactos produtivos e econômicos, prevenir continua sendo uma das principais estratégias para reduzir a ocorrência das afecções de casco.

Entre os cuidados estão a avaliação periódica dos animais e o casqueamento quando indicado, além do fornecimento de dieta equilibrada, atenção às condições dos pisos, controle da lotação e manutenção de um ambiente limpo e seco.

O uso adequado de pedilúvios com soluções desinfetantes também pode integrar as estratégias sanitárias da propriedade, conforme a realidade de cada sistema produtivo e a orientação técnica.

Na prática, manter atenção aos cascos faz parte de um manejo sanitário que interfere diretamente na produtividade. Para o pecuarista, prevenir lesões significa não apenas preservar a saúde e o bem-estar dos bovinos, mas também reduzir gastos evitáveis e proteger o desempenho do rebanho, tanto no confinamento quanto na atividade leiteira.

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