FOTO: Divulgação l Famato
A alimentação bovina no Brasil pode enfrentar novos desafios nos próximos meses. A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) alertou para o risco de desabastecimento de fosfato bicálcico, matéria-prima essencial para a produção de suplementos minerais utilizados na nutrição dos rebanhos. A entidade divulgou o alerta nesta última sexta-feira (29/5).
O alerta ganha relevância especialmente em Mato Grosso, estado que concentra o maior rebanho bovino do país. Segundo a entidade, a possível escassez do insumo pode impactar diretamente a produção pecuária, além de elevar ainda mais os custos enfrentados pelos produtores rurais.
De acordo com levantamento realizado pela Famato junto a empresas de nutrição animal, fabricantes de suplementos minerais e pecuaristas, há risco de falta de sal mineral para bovinos nos próximos dias. Além da preocupação com a oferta, o setor já observa reajustes significativos nos preços de suplementos minerais e concentrados utilizados na engorda dos animais.
Por que a alimentação bovina está em alerta?
Segundo a Famato, o cenário é resultado de uma série de fatores que afetam o abastecimento global. Entre eles estão a produção nacional insuficiente para atender à demanda do agronegócio brasileiro, a dependência de importações, restrições de oferta em países fornecedores, problemas logísticos internacionais e a priorização do consumo interno por parte de algumas nações exportadoras.
A entidade destaca que a situação ocorre em um momento de pressão sobre a rentabilidade da atividade pecuária. Além da alta dos insumos, muitos produtores enfrentam margens mais apertadas e redução nos preços pagos pela indústria frigorífica.
Para o presidente da Famato, Vilmondes Tomain, o problema exige atenção imediata.
“Estamos diante de um alerta importante para a pecuária e para a agricultura. O sal mineral é indispensável para o desempenho produtivo, reprodutivo e sanitário do rebanho. Quando esses produtos ficam caros ou começam a faltar, o impacto chega diretamente ao produtor rural”, afirmou.
A suplementação mineral adequada é considerada um dos pilares da alimentação bovina. A deficiência de minerais pode comprometer o ganho de peso dos animais, reduzir a fertilidade, enfraquecer o sistema imunológico, afetar a produção de leite e prejudicar os índices reprodutivos.

Na prática, a falta de suplementação adequada reduz a eficiência das propriedades, aumenta os riscos sanitários e pode gerar perdas econômicas significativas para os pecuaristas.
O vice-presidente da Famato e coordenador da Comissão de Pecuária de Corte da entidade, Amarildo Merotti, ressalta que Mato Grosso é um dos estados mais vulneráveis aos impactos de um eventual desabastecimento.
“Mato Grosso tem o maior rebanho bovino do Brasil. Qualquer instabilidade no fornecimento de sal mineral atinge milhares de produtores. O pecuarista está sendo pressionado pela alta dos insumos, pelo risco de falta de produto e pela queda nos preços pagos pela indústria”, destacou.
Medidas propostas para evitar o desabastecimento
Diante do cenário, a Famato defende a adoção de medidas emergenciais para ampliar a oferta de insumos no mercado nacional. Entre as propostas estão a redução temporária ou isenção das tarifas de importação do fosfato bicálcico e do enxofre, redução tributária sobre sal branco e ureia destinados à nutrição animal, além da desburocratização dos processos de importação e liberação de cargas nas fronteiras.
A entidade também sugere o fortalecimento das relações comerciais com países fornecedores, como a Bolívia, e reforça a necessidade de acelerar a implementação do Plano Nacional de Fertilizantes 2022-2050.
Segundo a Famato, ampliar a produção nacional de insumos estratégicos é fundamental para reduzir a dependência externa e garantir maior segurança para a alimentação bovina, a produção agrícola e toda a cadeia agropecuária brasileira.
Para a federação, garantir o acesso a suplementos minerais e matérias-primas essenciais é uma questão de competitividade, segurança alimentar e sustentabilidade para o agronegócio nacional.