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El Niño 2026: pecuaristas devem se preparar para calor, irregularidade de chuvas e alta nos custos

Boletim oficial indica mais de 90% de chance de o El Niño persistir até 2027, com risco de calor extremo, chuvas irregulares e pressão sobre pastagens, água e custos da alimentação animal

Cassia Carolina Cassia Carolina 30 de junho de 2026 às 14h05

O El Niño 2026 entrou oficialmente no radar da pecuária brasileira. Um boletim conjunto divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e órgãos federais de monitoramento climático aponta que o fenômeno já apresenta padrão típico no Oceano Pacífico Equatorial e tem mais de 90% de probabilidade de persistir até o início de 2027, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o verão.

Para o produtor rural, o alerta vai além da meteorologia. Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) avaliam que o principal efeito do El Niño 2026 será o aumento da volatilidade climática e produtiva, com impactos distintos entre regiões e cadeias pecuárias.

O que o boletim oficial indica

Monitoramento oficial

Fenômeno já está configurado

Segundo o boletim nº 1 divulgado em 29 de junho por INMET, INPE, ANA, CEMADEN, SGB e SEDEC, as águas do Pacífico Equatorial próximas à América do Sul apresentam anomalias superiores a 2°C, característica de um El Niño muito forte.

Jul–Ago–Set/2026

Chuvas acima da média no Sul

A previsão climática indica chuvas acima da média na Região Sul e chuvas abaixo da média no centro-norte do País no trimestre julho-agosto-setembro de 2026.

2º semestre

Calor acima da média e risco de incêndios

O documento também aponta alta probabilidade de temperaturas acima da média no segundo semestre, favorecendo ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.

O que muda para a pecuária

Na avaliação do Cepea, o pecuarista deve tratar o El Niño 2026 como um fator de aumento de risco, e não como um impacto uniforme em todo o Brasil.

Quatro pontos de atenção imediata

  1. Pastagens
    Disponibilidade de forragem e água
    Veranicos prolongados, recuperação lenta das chuvas e temperaturas elevadas podem reduzir o crescimento das forrageiras e a capacidade de suporte das áreas.
  2. Silagem e feno
    Qualidade das forragens conservadas
    O clima pode afetar tanto a produção quanto o preço de milho, sorgo, silagem, feno e outros volumosos usados na suplementação.
  3. Conforto térmico
    Ambiência e sanidade
    Calor intenso reduz consumo, ganho de peso, fertilidade e produção de leite. Excesso de chuva aumenta lama, mastite, doenças respiratórias e problemas de casco.
  4. Custos
    Alimentação animal mais cara
    Milho, farelo de soja, silagem e outros insumos passam a ter maior sensibilidade climática, pressionando as margens de praticamente todas as cadeias pecuárias.

Fonte: Equipe de Pecuária do Cepea/Esalq-USP.

Impactos por cadeia produtiva

Bovinos de corte

Mais pressão sobre pasto e água

Os efeitos tendem a se concentrar em qualidade das pastagens, disponibilidade de água, estresse térmico e aumento do custo da suplementação.

Leite

Volumoso e concentrado no centro da conta

O impacto aparece na produção de volumosos, no custo do concentrado e no conforto térmico das vacas.

Ovinos e caprinos

Nordeste e Sul exigem estratégias diferentes

No Nordeste, o risco maior é a redução de água e forragem. No Sul, o excesso de chuva pode agravar problemas sanitários e comprometer a qualidade das pastagens.

Suínos e aves

Ração e energia mais sensíveis ao clima

Temperaturas elevadas podem reduzir desempenho produtivo, afetar fertilidade e elevar o consumo de energia, pressionando as margens.

Região por região: onde o risco é maior?

RegiãoRisco predominante
SulChuvas acima da média, excesso de umidade, lama e desafios sanitários.
Centro-OesteIrregularidade das chuvas, veranicos e calor persistente.
SudesteTemperaturas elevadas e períodos secos mais frequentes.
Norte/Nordeste (faixa norte)Maior risco de seca e redução da disponibilidade hídrica.

A leitura regional é baseada no boletim oficial do MAPA e na análise da Equipe de Pecuária do Cepea.

Planejamento

Cinco ações práticas para o pecuarista agora

  1. Mapear áreas críticas de pastagem e revisar a lotação antes do pico do calor.
  2. Garantir reserva estratégica de água e manutenção de bebedouros.
  3. Antecipar a formação de silagem, feno e estoques de suplementação.
  4. Reforçar sombra, ventilação e manejo de conforto térmico, principalmente para raças taurinas e vacas em lactação.
  5. Acompanhar mensalmente as atualizações do boletim oficial para ajustar compras, vendas e manejo do rebanho.

Monitoramento será mensal

O MAPA informou que o boletim sobre o El Niño 2026 será atualizado mensalmente pelos órgãos federais responsáveis pelo monitoramento climático, recursos hídricos e gestão de riscos. A recomendação é que produtores acompanhem as atualizações para ajustar o planejamento da safra, da alimentação animal e da gestão hídrica das propriedades.

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