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Mercado de exportação de bovinos vivos ganha força com avanço sanitário

Padronização dos protocolos sanitários reduz perdas, melhora o bem-estar animal e fortalece a competitividade do Brasil no mercado internacional de bovinos vivos

Cassia Carolina Cassia Carolina 11 de junho de 2026 às 20h17

A exportação de bovinos vivos segue em expansão no Brasil e consolida o país como um dos principais fornecedores mundiais da categoria. Em 2025, o setor ultrapassou a marca de 1 milhão de cabeças embarcadas e registrou faturamento superior a US$ 1 bilhão, impulsionado por uma combinação de demanda internacional aquecida e avanços na gestão sanitária dos rebanhos.

Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Animais Vivos (Abreav), cerca de 1,07 milhão de animais foram exportados no último ano, volume 5,53% superior ao registrado em 2024. Já os dados da Scot Consultoria, com base na Comex, apontam crescimento de 26,1% na receita gerada pelas exportações.

O desempenho reflete não apenas o aumento das vendas externas, mas também a evolução dos protocolos sanitários adotados ao longo da cadeia, fator considerado estratégico para garantir a qualidade dos animais e a confiança dos mercados compradores.

Sanidade é peça-chave para a exportação

O mercado de bovinos vivos exige um elevado padrão de controle sanitário. Antes do embarque, os animais permanecem em propriedades de pré-exportação, onde são reunidos lotes oriundos de diferentes fazendas e regiões do país.

Esse processo aumenta os desafios sanitários e exige cuidados específicos para evitar doenças, perdas produtivas e impactos na operação. Como os embarques podem levar entre 60 e 80 dias desde a contratação até a entrega ao comprador, a preparação dos animais tornou-se uma etapa decisiva para o sucesso do negócio.

De acordo com o presidente da Abreav, Ricardo Barbosa, a qualidade sanitária dos animais influencia diretamente a reputação do Brasil junto aos importadores.

“A nossa imagem como exportador é construída quando os animais chegam ao destino. Se os procedimentos não forem adequados desde a recepção, aumenta significativamente o risco de problemas sanitários durante a operação”, destaca.

Padronização reduz perdas e aumenta eficiência

Para atender às exigências dos mercados internacionais, o setor avançou na padronização dos protocolos de manejo e prevenção sanitária. Atualmente, cerca de 85% dos bovinos vivos exportados pelo Brasil seguem um protocolo sanitário consolidado ao longo dos últimos anos em parceria com empresas do segmento de saúde animal.

A adoção dessas medidas resultou em uma redução de aproximadamente 50% das perdas relacionadas à saúde dos animais, além de melhorar o desempenho dos lotes durante os períodos de adaptação, transporte e embarque.

O protocolo contempla vacinação, controle de parasitas, suplementação vitamínica e outras medidas voltadas para minimizar o estresse e fortalecer a imunidade dos rebanhos.

Segundo Bruno Di Rienzo, gerente Nacional de Demanda da Biogénesis Bagó, o objetivo é combinar as exigências internacionais com as necessidades sanitárias encontradas nas condições brasileiras de produção.

“O desafio é atender aos requisitos dos países importadores sem perder de vista a realidade sanitária do Brasil, além de garantir a rápida recuperação dos animais após os deslocamentos até os locais de embarque”, explica.

Competitividade e confiança nos mercados internacionais

A evolução dos protocolos sanitários também contribui para ampliar a competitividade brasileira diante de mercados cada vez mais exigentes. Egito e Turquia, atualmente entre os principais compradores do gado brasileiro, mantêm critérios rigorosos para a importação de animais vivos.

Além disso, o setor opera sob fiscalização permanente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que acompanha todas as etapas do embarque, incluindo rastreabilidade individual dos animais e cumprimento das exigências sanitárias estabelecidas pelos países de destino.

O crescimento das exportações também impulsiona investimentos em infraestrutura logística. Portos como Rio de Janeiro (RJ), Natal (RN), São Luís (MA) e Ilhéus (BA) ampliaram sua participação nas operações, fortalecendo a capacidade brasileira de atender à demanda internacional.

Com a combinação entre volume de produção, diversidade genética do rebanho e protocolos sanitários cada vez mais eficientes, o Brasil busca consolidar sua posição entre os principais fornecedores globais do mercado de bovinos vivos.

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