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Pecuária moderna brasileira pode reduzir 79,9% das emissões por quilo de carne até 2050

Estudo da FGV e Abiec mostra que o avanço da pecuária moderna brasileira pode levar a uma queda histórica nas emissões de CO₂ por quilo de carne produzida

Cassia Carolina Cassia Carolina 13 de novembro de 2025 às 20h45
Pecuária moderna brasileira pode reduzir 79,9% das emissões por quilo de carne até 2050

FOTO: Reprodução l Abiec

A pecuária moderna brasileira está prestes a alcançar um dos maiores avanços ambientais de sua história. Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12/11) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), comprova que o setor pode reduzir 79,9% das emissões de CO₂ equivalente por quilo de carne produzida até 2050, caso mantenha o atual ritmo de adoção de práticas mais eficientes e de conversão de novas áreas para pastagem.

Esse resultado reforça o protagonismo do pecuarista brasileiro na transição climática global. E há espaço para avançar ainda mais: com cumprimento das metas de desmatamento zero até 2030 e aceleração de soluções de baixa emissão, como recuperação de pastagens degradadas, sistemas integrados e práticas regenerativas, a redução pode chegar a 92,6%.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, destaca a importância do setor nesse processo. “A pecuária brasileira tem um papel central na agenda climática. O potencial de descarbonização é motivo de orgulho, mas também aumenta nossa responsabilidade para acelerar o caminho que já estamos percorrendo”, afirmou.

Quatro cenários para a descarbonização da pecuária moderna brasileira

O estudo da FGV avaliou diferentes trajetórias de mitigação até 2050:

  1. Ritmo atual — queda de 79,9%

A pecuária aumentou sua produtividade em 183% desde 1990 e reduziu 18% da área de pastagens. Mantidas essas tendências, as emissões caem de 80 kg para 16,1 kg de CO₂ por quilo de carne.

  1. Desmatamento zero — queda de 86,3%

Depende do cumprimento das metas públicas até 2030, com adesão do setor produtivo.

  1. Adoção plena do Plano ABC+ — queda de 91,6%

Inclui recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária e manejo mais eficiente.

  1. Tecnologias avançadas — queda de 92,6%

Considera aditivos nutricionais, redução de metano, abate precoce e práticas zootécnicas de alta performance.

“Esse potencial confirma a pecuária como pilar essencial para as metas climáticas do Brasil”, afirma Guilherme Bastos, coordenador do FGV Agro. Considerando o balanço líquido das emissões, a redução pode variar de 60,7% a 85,4% entre os cenários.

Descarbonização da pecuária moderna brasileira

IMAGEM: Reprodução l Abiec

O papel das políticas públicas para o cenário mais avançado

Segundo a FGV, atingir o patamar máximo de descarbonização depende de políticas públicas que impulsionem o produtor. Entre as iniciativas, a Abiec apoia:

Plano Nacional de Identificação de Bovinos (PNIB)

Plataforma AgroBrasil+Sustentável

Selo Verde

Programa de Integridade da Pecuária do Pará

Protocolo Boi na Linha (Imaflora + MPF)

Esses mecanismos reforçam rastreabilidade, compra responsável e padronização nacional. “A pecuária tropical brasileira já é mais regenerativa e inovadora. A adoção de tecnologias e políticas robustas garante o salto de eficiência necessário”, explica Bastos. 

Para Fernando Sampaio, diretor de Sustentabilidade da Abiec, os resultados mostram a força da carne brasileira no mercado global. “Os 92,6% refletem o investimento contínuo do produtor e a capacidade do Brasil de entregar uma solução climática em larga escala”, explica.

Os dados confirmam que a pecuária moderna brasileira está em trajetória sólida de descarbonização estrutural. Com tecnologia, manejo eficiente e políticas de incentivo, o setor se consolida como uma das grandes soluções climáticas do agronegócio mundial, e reforça o papel estratégico do pecuarista na construção de uma carne cada vez mais sustentável.

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