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Raça Gir Leiteiro ganha software que amplia o ganho genético e reduz a consanguinidade

Ferramenta desenvolvida pela Embrapa e pela ABCGIL simula acasalamentos, reduz riscos da endogamia e torna o melhoramento genético mais preciso para os criadores da raça Gir Leiteiro

Cassia Carolina Cassia Carolina 9 de julho de 2026 às 09h00

A raça Gir Leiteiro acaba de ganhar uma importante aliada para acelerar o melhoramento genético dos rebanhos sem comprometer a diversidade genética. Desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite, em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Gado Gir Leiteiro (ABCGIL), um novo software permite simular acasalamentos, aumentar a precisão da seleção genética e reduzir os riscos da consanguinidade. As informações foram divulgadas pela Embrapa nesta última terça-feira (7/7).

A ferramenta utiliza dados genéticos e genômicos para indicar os cruzamentos mais eficientes entre matrizes e reprodutores, favorecendo o ganho genético da raça Gir Leiteiro e contribuindo para a sustentabilidade dos plantéis.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, João Cláudio Panetto, o sistema funciona como um consultor digital, cruzando informações sobre valores genéticos estimados e parentescos genômicos para recomendar os acasalamentos mais produtivos e geneticamente seguros.

Software reduz riscos da consanguinidade na raça Gir Leiteiro

Embora seja uma consequência natural dos programas de melhoramento genético, a endogamia pode representar um desafio quando não é monitorada. O uso frequente dos mesmos reprodutores reduz a variabilidade genética da raça e pode provocar perdas produtivas, reprodutivas e econômicas.

Entre os principais impactos estão a redução da fertilidade, menor persistência da lactação, diminuição da longevidade das vacas e o surgimento de doenças ou defeitos genéticos.

Para evitar esse cenário, o software calcula automaticamente o coeficiente de consanguinidade de cada acasalamento. Sempre que o índice ultrapassa os limites considerados seguros, o sistema emite um alerta, permitindo ao produtor escolher outro reprodutor sem abrir mão do ganho genético.

Segundo a Embrapa, o coeficiente de consanguinidade deve permanecer, preferencialmente, abaixo de 6,25%, limite considerado seguro para minimizar perdas zootécnicas e econômicas.

Software reduz riscos da consanguinidade na raça Gir Leiteiro
Raça Gir Leiteiro. FOTO: Divulgação l Embrapa

Bioinformática leva mais precisão ao melhoramento genético

Grande parte do processamento das informações é realizada pelo Laboratório de Bioinformática e Genômica Animal (LBGA), da Embrapa Gado de Leite.

O laboratório utiliza algoritmos capazes de estimar valores genéticos, calcular o grau de parentesco entre os animais e indicar os acasalamentos mais eficientes e seguros. Na prática, isso permite ao produtor tomar decisões baseadas em dados, reduzindo riscos e aumentando a eficiência dos programas de seleção genética.

Ferramenta vai além do controle de parentesco

Além de monitorar a consanguinidade, o sistema utiliza o novo Índice de Produção do Gir Leiteiro (IPGL), que considera características como produção de leite, sólidos (gordura e proteína) e precocidade sexual na recomendação dos acasalamentos.

A plataforma também permite selecionar reprodutores livres de doenças hereditárias, identificar animais com genética voltada à produção de Leite A2 e maior rendimento na fabricação de queijos, além de incorporar estimativas para programas de Fertilização In Vitro (FIV), ampliando as possibilidades de melhoramento genético da raça Gir Leiteiro.

Tecnologia poderá beneficiar outras raças bovinas

Embora o sistema seja destinado atualmente à raça Gir Leiteiro, a tecnologia desenvolvida pela Embrapa deverá servir de base para outras iniciativas voltadas à pecuária nacional.

Uma das frentes em desenvolvimento prevê a integração dos bancos de dados da ABCGIL, da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa. O objetivo é permitir simulações genéticas envolvendo cruzamentos entre diferentes raças leiteiras, oferecendo ao produtor informações ainda mais precisas para a formação de rebanhos mestiços.

Segundo a Embrapa, a padronização dessas ferramentas permitirá ampliar o acesso ao melhoramento genético de precisão, fortalecendo a competitividade da pecuária leiteira brasileira e reduzindo prejuízos antes mesmo da inseminação artificial ou da transferência de embriões.

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