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Sêmen sexado: venda cresce 30% no Brasil mas tem baixa adoção no gado de corte

Cerca de 95% das doses comercializadas neste ano foram para a pecuária leiteira; baixo resultado quando combinado à IATF desestimula pecuarista de corte

Publicador Sites Externos Publicador Sites Externos 26 de novembro de 2020 às 14h34
botijão com doses de sêmen

Foram comercializadas mais de 500 mil doses de sêmen sexado no acumulado deste ano até setembro. Foto: Giro do Boi

O uso de sêmen sexado no Brasil apresenta crescimento consistente nos últimos dois anos. Dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) mostram que no acumulado de janeiro a setembro de 2018, foram comercializadas 306.052 doses de sêmen importado ou nacional sexado para pecuária de leite e corte. No mesmo período do ano passado, o número passou para 384.515, alta de 25,64%. Este ano, chegou a 503.078, crescimento de 30,83%.

Entre os segmentos da bovinocultura, a produção de leite é quem mais demanda. No ano passado, cerca de 95% das doses — 479.265 mais precisamente — foram absorvidas por esse setor, enquanto o gado de corte respondeu por 23.813 doses.

Por que isso acontece?

O gestor executivo da Asbia, Carlos Vivacqua, afirma que a seleção do sexo dos animais é muito mais importante para a pecuária de leite do que para a de corte, pois o nascimento de machos não é interessante para o produtor de leite, enquanto que o pecuarista de corte precisa de ambos os sexos, seja para gerar renda pela venda de carne bovina (machos) ou para reposição do rebanho (fêmeas).

Outro ponto que distancia o uso de sêmen sexado do pecuarista de corte é o resultado pouco expressivo quando combinado à inseminação artificial em tempo fixo (IATF), técnica que compreende cerca de 95% das inseminações no país. “A tecnologia ainda está em ajuste”, pontua Vivacqua, acrescentando que não é possível determinar o tempo necessário para essa adequação.

O gestor da Asbia explica que o sêmen sexado consiste no manuseio de um volume espermático do qual é retirado o cromossomo X ou Y, o determina o sexo do animal. “Isso causa mudanças na fertilidade quando comparado com o mesmo volume ejaculado do [sêmen] convencional. Esse sêmen sexado vai ter um nível de fertilidade inferior”, diz.

Além disso, no caso do gado de corte, que já tem controles reprodutivos bastante ajustados com muita tecnologia sendo usada na reprodução, o sêmen sexado representa um aumento expressivo no custo. Sem um retorno que compense o investimento, isso tudo desestimula a adoção no corte.

No leite, Vivacqua destaca que o sêmen sexado é utilizado principalmente para inseminar novilhas virgens, sobre as quais se tem melhores índices reprodutivos maiores. Além disso, esse produto é utilizado com foco em animais de valor genético superior para produzir a elite da próxima geração do rebanho.

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