FOTO: Divulgação l Abiec
A Rússia ampliou as importações de carne bovina brasileira em 2026, reforçando sua participação entre os destinos da proteína nacional. De janeiro a setembro, o país adquiriu 94,7 mil toneladas, o maior volume para o período desde 2017. O resultado marca o quinto ano consecutivo de crescimento das compras russas e evidencia a recuperação gradual de um mercado que já foi o principal comprador da carne bovina produzida no Brasil.
De acordo com a Scot Consultoria, apesar do avanço, as exportações para a Rússia ainda permanecem abaixo dos níveis registrados entre 2015 e 2017. Desde 2022, entretanto, o país tem ampliado suas aquisições anualmente, consolidando uma trajetória de recuperação da demanda.
Para a pecuária brasileira, esse movimento reforça a importância da diversificação dos mercados internacionais, especialmente diante das oscilações nas compras de grandes importadores, como a China.
Exportações para a Rússia avançam pelo quinto ano consecutivo
O crescimento das compras russas também se destacou no desempenho mensal. Em setembro de 2026, os embarques brasileiros para a Rússia alcançaram o segundo maior volume para o mês desde o início da série histórica, ficando atrás apenas do resultado de setembro de 2017.
O desempenho demonstra a recuperação do interesse russo pela carne bovina brasileira, após um período de importações inferiores aos patamares históricos.
Embora o volume ainda não tenha retornado aos níveis observados entre 2015 e 2017, a sequência de crescimento representa um sinal positivo para a indústria exportadora e amplia a participação do mercado russo nas relações comerciais do setor.
Além da Rússia, outros destinos importantes, como Estados Unidos e União Europeia, também aumentaram suas compras de carne bovina brasileira em 2026.
Queda nas compras chinesas reduz exportações brasileiras em setembro
Apesar do avanço registrado em mercados como a Rússia, o volume total de carne bovina exportado pelo Brasil apresentou retração em setembro de 2026.
Segundo os dados divulgados pela Scot Consultoria, o país embarcou 195,2 mil toneladas de carne bovina in natura, uma redução de 38% em relação ao mesmo mês de 2025, quando as exportações somaram 314,7 mil toneladas. Esse foi o menor volume registrado para setembro desde 2023.
A principal influência sobre o resultado foi a forte redução das compras da China, associada ao limite da cota de exportação destinada ao país.
Em setembro de 2026, os chineses importaram apenas 10,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, uma queda de 94,2% em comparação com o mesmo período de 2025, quando as aquisições atingiram o recorde de 187,2 mil toneladas. A retração evidencia a influência do mercado chinês sobre o desempenho das exportações brasileiras e a importância de ampliar as oportunidades comerciais em outros destinos.
Estados Unidos registram recorde de compras de carne bovina brasileira
Enquanto as exportações para a China recuaram, os Estados Unidos ampliaram suas importações e estabeleceram um novo recorde mensal. Em setembro de 2026, os norte-americanos adquiriram 44,4 mil toneladas de carne bovina brasileira, superando a máxima anterior de 44,1 mil toneladas, registrada em abril de 2025.
A União Europeia também apresentou crescimento. Na comparação entre os meses de setembro, as exportações brasileiras destinadas ao bloco avançaram pelo terceiro ano consecutivo. Os resultados mostram que, mesmo diante da redução dos embarques totais em setembro, outros mercados ampliaram a demanda pela carne bovina nacional.
Recuperação da demanda russa reforça importância de novos mercados para a pecuária
O crescimento das importações pela Rússia ocorre em um cenário de mudanças no comércio internacional de carne bovina, marcado por diferentes comportamentos entre os principais países compradores.
Para o pecuarista brasileiro, a ampliação da demanda em destinos como Rússia, Estados Unidos e União Europeia representa um fator importante para a diversificação das exportações e para a redução da dependência comercial de um único mercado.
Entretanto, os possíveis reflexos sobre os preços da arroba do boi gordo dependem de outros fatores, como a oferta de animais para abate, o consumo doméstico e o ritmo de compras da indústria frigorífica.
Com 94,7 mil toneladas adquiridas até setembro de 2026, a Rússia mantém sua trajetória de recuperação e reforça sua relevância para o setor exportador brasileiro. O desempenho também evidencia a importância de acompanhar a evolução da demanda internacional e seus possíveis impactos sobre a comercialização de bovinos no mercado nacional.