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Frigoríficos de MS e GO paralisam produção de carne após tarifa dos EUA

Suspensão atinge unidades de grandes indústrias em MS e GO após anúncio de tarifa extra de 50% sobre a carne bovina brasileira pelos Estados Unidos

Cassia Carolina Cassia Carolina 16 de julho de 2025 às 18h40

Foto: Divulgação | Prefeitura de Campina Verde (MG)

 A decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa adicional de 50% sobre a carne bovina brasileira já começa a afetar diretamente a cadeia produtiva no país. Nos estados de Mato Grosso do Sul e Goiás, importantes polos exportadores, frigoríficos suspenderam as atividades voltadas às exportações para os EUA.

A medida dos frigoríficos é preventiva: o objetivo é evitar prejuízos com cargas que possam ficar retidas nos portos ou perder competitividade com a nova tarifa, que entra em vigor em 1º de agosto de 2025.

➡️ Leia também: Setor teme colapso com tarifa de 50% dos EUA sobre carne bovina

MS: quatro frigoríficos já interromperam abates

No Mato Grosso do Sul, quatro unidades frigoríficas suspenderam os abates de bovinos destinados ao mercado americano. A informação foi confirmada pelo secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck. “A paralisação não é por falta de boi. É uma decisão logística para não produzir um produto que pode não ser escoado”, explicou o secretário ao Canal Rural.

Segundo Verruck, mesmo representando apenas 7% do total das exportações do estado, os EUA são destino de 15% da carne bovina sul-mato-grossense, o que coloca o segmento em alerta. A carne desossada e congelada, principal produto exportado, representa 45% da pauta de exportações do MS.

Goiás também sente os efeitos

Em Goiás, a suspensão da produção com destino aos Estados Unidos também já é realidade. O estado, que tem os EUA como destino de cerca de 25% das exportações de carne bovina, avalia que manter a produção nesse cenário pode gerar prejuízos às empresas.

Com o aumento de custos e a incerteza sobre o desembarque nos portos americanos, frigoríficos goianos estão reavaliando contratos e buscando alternativas comerciais.

Quais os impactos para o produtor?

Com frigoríficos paralisando parte das atividades, o efeito no campo pode vir em cadeia. A redução da compra de boi gordo pode gerar queda no preço da arroba, afetando diretamente o rendimento dos pecuaristas.

Outro risco é o acúmulo de carne nas câmaras frigoríficas, o que pressiona os estoques e torna o redirecionamento da produção uma urgência.

Setores se mobilizam para encontrar alternativas

Enquanto o governo federal tenta negociar com os EUA uma revisão ou adiamento da tarifa, governos estaduais já se movimentam para ampliar mercados alternativos.

Em Goiás, está prevista uma missão comercial ao Japão e outros destinos asiáticos. Já no Mato Grosso do Sul, a ideia é acelerar acordos com mercados do Oriente Médio e América do Sul, buscando escoar a produção e manter a indústria em funcionamento.

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