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Oferta alta pressiona arroba do boi, mas exportações seguem sustentando o setor

Com avanço nas escalas de abate em importantes regiões pecuárias, preços do boi gordo recuaram. Apesar disso, desempenho das exportações impede quedas mais acentuadas.

Cassia Carolina Cassia Carolina 30 de junho de 2025 às 15h07

Foto: Divulgação | Canal do Criador

A última semana foi marcada por pressão nas cotações da arroba do boi gordo, principalmente nas praças de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás. Segundo analistas, a oferta de animais prontos para abate aumentou com a passagem de uma frente fria, o que levou os frigoríficos a alongarem as escalas e impôs recuo nos preços.

“O clima favoreceu a disponibilidade de bois terminados, o que se refletiu nas escalas e nas negociações”, explica Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. Estados como Rondônia e Goiás também registraram avanço nos abates, contribuindo para a tendência de queda.

Cotações da arroba em 27 de junho (negociação a prazo):

  • São Paulo (capital): R$ 317,33 (queda de 0,8%)

  • Goiás (Goiânia): R$ 297,14 (queda de 2,6%)

  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 303,82 (queda de 0,3%)

  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 315,00 (queda de 1,6%)

  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 322,70 (alta de 0,8%)

  • Rondônia (Vilhena): R$ 285,00 (estável)

Consumo interno em ritmo mais lento

O mercado atacadista também sentiu o impacto da menor reposição entre o varejo e os distribuidores. Em um cenário típico da segunda quinzena do mês, os consumidores brasileiros priorizam proteínas mais baratas, como frango, ovos e embutidos.

Variação nos cortes bovinos:

  • Quarto traseiro: R$ 23/kg (queda de 6,12%)

  • Quarto dianteiro: R$ 19/kg (queda de 2,56%)

Exportações seguram o mercado

Apesar da pressão interna, as exportações brasileiras de carne bovina continuam em alta e funcionam como alicerce para o mercado. Em junho, até o dia 27, o Brasil embarcou mais de 168 mil toneladas de carne fresca, refrigerada ou congelada.

Balanço parcial de junho (dados da Secex):

  • Volume exportado: 168,8 mil toneladas

  • Média diária: 12 mil toneladas

  • Receita: US$ 917 milhões

  • Preço médio da tonelada: US$ 5.431,60

Em comparação com junho de 2024, houve crescimento de:

  • 52,4% na receita média diária

  • 25,3% no volume diário embarcado

  • 21,6% no valor por tonelada

O que esperar?

A expectativa para os próximos dias é de que os preços continuem oscilando, com leve tendência de baixa, caso o consumo interno não reaja e a oferta de boiadas siga elevada. No entanto, o bom desempenho das exportações ainda é a principal âncora de sustentação do mercado.

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