NOTÍCIAS

Acordo Mercosul-UE acende alerta entre produtores de leite no Brasil; entenda

Setor avalia que abertura comercial pode ampliar a concorrência e pressionar a renda do pequeno pecuarista

Cassia Carolina Cassia Carolina 16 de janeiro de 2026 às 19h22
Acordo Mercosul-UE acende alerta entre produtores de leite no Brasil; entenda

FOTO: Reprodução l Sociedade Nacional de Agricultura

Os produtores de leite brasileiros, especialmente os de menor escala, acompanham com apreensão os desdobramentos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que deve ser assinado no Paraguai. A avaliação do setor é de que o tratado pode agravar um cenário já pressionado pelas importações de lácteos da Argentina e do Uruguai, que entram no Brasil com isenção tarifária.

Segundo reportagem do Globo Rural, o receio maior está nas cotas e nas reduções tarifárias previstas para produtos europeus, o que pode intensificar a concorrência no mercado interno e afetar diretamente a renda do pecuarista.

Abertura comercial preocupa a cadeia leiteira

O acordo prevê uma cota de 10 mil toneladas de leite em pó, escalonada ao longo de dez anos, com redução gradual da tarifa atual de 28% até zerar ao final do período. Para os queijos europeus, a cota será de 30 mil toneladas, além de 5 mil toneladas para fórmulas infantis.

As importações que ultrapassarem essas cotas continuarão sujeitas a tarifas entre 16% e 28%. Do lado sul-americano, porém, não houve concessões equivalentes para facilitar o acesso dos lácteos brasileiros ao mercado europeu.

Barreiras limitam acesso do leite brasileiro à UE

Apesar de não haver proibição formal, representantes do setor destacam que barreiras sanitárias e regulatórias impostas pela União Europeia dificultam, na prática, a entrada dos produtos brasileiros. Essa assimetria reforça a percepção de que o acordo pode favorecer mais os exportadores europeus do que os produtores de leite do Brasil.

Pequeno produtor é o mais vulnerável

Entidades do setor avaliam que o impacto tende a ser mais severo entre pequenos e médios produtores, que operam com custos elevados, pouca escala e menor capacidade de absorver oscilações de preço.

A produção nacional de leite está estimada em 26 bilhões de litros por ano, mas os custos de produção deixam os lácteos brasileiros até 20% menos competitivos em relação a países como Nova Zelândia, Argentina e Uruguai.

Preços pressionados e margens menores

A expectativa é de que a maior oferta de leite em pó e queijos importados pressione os preços no atacado, reduzindo ainda mais a margem do produtor, que já enfrenta valores considerados baixos na remuneração por litro.

Apesar das críticas, parte do setor enxerga o acordo como um fator adicional de pressão para acelerar mudanças estruturais na cadeia leiteira. Entre os pontos citados estão a redução de gargalos logísticos, a reorganização da produção e ganhos de eficiência para reduzir custos.

A avaliação é de que, sem ampliar a competitividade e a capacidade de exportação, o crescimento do setor fica limitado ao consumo interno, que não avança no mesmo ritmo do potencial produtivo.

Importações seguem relevantes no consumo interno

Em 2025, o Brasil exportou cerca de 37 mil toneladas de lácteos, enquanto as importações, mesmo com recuo de 6,1%, somaram 2,15 bilhões de litros em equivalente-leite, o que representa aproximadamente 8% do consumo interno.

Argentina e Uruguai seguem como os principais fornecedores, mas países europeus como França e Itália também mantêm presença constante no mercado brasileiro.

Avaliação final do setor

Para lideranças da cadeia, o acordo Mercosul-UE tende a ampliar a concorrência justamente nos produtos mais sensíveis para os produtores de leite, como leite em pó e queijos. Sem políticas de apoio, avanços em competitividade e equilíbrio na abertura comercial, o temor é que o pequeno pecuarista seja o elo mais fragilizado da cadeia produtiva.

 

Acompanhe as transmissões em tempo real e fique por
dentro das novidades do agronegócio.

Assistir agora

Canal 166 Canal 166
Canal 197 e 697 Canal 197 e 697
Canal 591 Canal 591
Disponível na antena Parabólica Digital e Analógica

AGENDA DE EVENTOS

03 de junho de 2026

Jaboticabal

Congresso

02 de junho de 2026

Lavras (MG)

59ª REUNIÃO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA

02 de junho de 2026

Araxá (MG)

EXPOQUEIJO 2026

02 de junho de 2026

Patos de Minas (MG)

4ª FENAMINAS

21 de maio de 2026

Ribeirão Preto - SP

22º INSECT SHOW

21 de maio de 2026

Porto Alegre - RS

CONBAP E ICPA 2026

19 de maio de 2026

São José do Rio Preto - SP

RIOPRETO COUNTRY BULLS

19 de maio de 2026

Patos de Minas - MG

MILKSHOW 2026

Acompanhe as transmissões em tempo real e fique por
dentro das novidades do agronegócio.

Assistir agora

Canal 166 Canal 166
Canal 197 e 697 Canal 197 e 697
Canal 591 Canal 591
Disponível na antena Parabólica Digital e Analógica