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Tristeza parasitária bovina: chuva aumenta risco e prejuízo no rebanho

Doença favorecida por clima quente e úmido já está entre as principais causas de mortalidade em confinamentos e pode gerar perdas acima de R$ 4 mil por animal

Cassia Carolina Cassia Carolina 25 de fevereiro de 2026 às 19h40
Tristeza parasitária bovina: chuva aumenta risco e prejuízo no rebanho

FOTO: Reprodução l Labmol Vet

O período chuvoso exige atenção redobrada do pecuarista. Se por um lado a chuva favorece o crescimento das pastagens, por outro cria o ambiente ideal para doenças típicas de clima quente e úmido, como a tristeza parasitária bovina.

Segundo o Confina Brasil, com dados detalhados no Benchmarking 2025 organizado pela Scot Consultoria, a enfermidade foi a terceira maior causa de mortalidade em confinamentos em 2025. O dado reforça que o impacto não é apenas sanitário, mas diretamente econômico.

O que é a tristeza parasitária bovina?

A tristeza parasitária bovina é um complexo de doenças hemoparasitárias formado por:

  • Anaplasmose, causada pela bactéria Anaplasma marginale

  • Babesiose, provocada pelos protozoários Babesia bovis e Babesia bigemina

Apesar de agentes distintos, ambas apresentam sinais clínicos semelhantes e compartilham o mesmo vetor principal: o carrapato Rhipicephalus (Boophilus) microplus. A transmissão também pode ocorrer por mosquitos, moscas hematófagas e até via placentária.

Sintomas que acendem o alerta no campo

Os sinais clínicos incluem febre, apatia, perda de apetite, anemia, icterícia, emagrecimento, redução dos movimentos ruminais e queda na produção de leite. Na anaplasmose, pode haver urina escura. Já nos casos mais graves de babesiose, podem surgir alterações neurológicas, como tremores, dificuldade de locomoção e convulsões, com risco de morte.

Durante o pico febril, também podem ocorrer abortos e redução da fertilidade de touros, ampliando o prejuízo dentro da propriedade.

Quanto a doença pode custar?

O impacto financeiro da tristeza parasitária bovina é significativo. Um aborto pode representar perda próxima de R$ 2.973,58 por cabeça. A morte de um boi magro de 375 kg pode chegar a R$ 4.680,00. Já em animais terminados, o valor gira em torno de R$ 345,00 por arroba.

Em um cenário de margens pressionadas, a perda de um único animal já compromete o resultado do lote.

Prevenção ainda é o melhor caminho

Entre as estratégias preventivas está a quimioprofilaxia com dipropionato de imidocarb, indicada especialmente na introdução de animais em áreas de alta incidência. Para um bovino de 375 kg, o custo estimado por dose é de R$ 35,37, considerando cotação de fevereiro.

O controle estratégico do carrapato também é fundamental. No caso da cipermetrina, considerando frasco de 1 litro a R$ 75,15 e diluição em mil litros de água, o custo estimado por bovino é de R$ 0,38 por aplicação.

Especialistas alertam que a erradicação total do carrapato não é recomendada, pois o contato controlado ajuda na manutenção da imunidade. Animais criados em áreas livres tendem a ser mais suscetíveis quando expostos.

Tratamento exige rapidez

Nos casos confirmados, o dipropionato de imidocarb pode ser utilizado tanto na babesiose quanto na anaplasmose, com dosagens específicas. Outra alternativa na anaplasmose é a oxitetraciclina, que pode apresentar melhor relação custo-benefício.

A orientação veterinária é indispensável para definir o protocolo adequado. Com a intensificação das chuvas, o risco aumenta. Monitorar o rebanho, agir nos primeiros sinais e investir em prevenção são medidas decisivas para evitar que a tristeza parasitária bovina comprometa produtividade e rentabilidade dentro da porteira.

 

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