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A exportação de couro brasileira registrou um marco histórico nos primeiros cinco meses de 2026. Entre janeiro e maio, os embarques alcançaram 274,8 mil toneladas, o maior volume já registrado para o período na série histórica. Apesar do resultado expressivo, o faturamento do setor seguiu trajetória oposta e apresentou queda em relação aos anos anteriores. As informações foram divulgadas pela Scot Consultoria nesta segunda-feira (15/6).
Nos primeiros cinco meses do ano, a receita gerada pela exportação de couro somou US$ 450,8 milhões. O valor representa recuo de 7,8% em comparação com o mesmo período de 2025 e queda de 17,7% frente a 2024.
Para a cadeia pecuária, os números reforçam a importância da valorização dos produtos de maior processamento. Embora a oferta de matéria-prima permaneça elevada, a composição dos embarques teve papel decisivo no desempenho financeiro do setor.
Mudança no perfil das exportações explica queda na receita
O principal motivo para a redução do faturamento está na alteração da participação dos diferentes tipos de couro exportados. Os produtos com maior valor agregado perderam espaço, enquanto categorias de menor valor unitário ampliaram presença nos embarques.
O wet blue, principal produto da pauta exportadora, respondeu por 67,5% do volume embarcado até maio. Apesar da liderança, sua participação caiu 3,2 pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2025. O volume exportado recuou de 187,4 mil para 185 mil toneladas e o produto foi negociado, em média, a US$ 0,98 por quilo.
Já o couro salgado, que possui menor nível de processamento, ampliou sua participação para 23,3% do volume exportado, avanço de 3,4 pontos percentuais na comparação anual. No entanto, representou apenas 7,2% da receita total, com preço médio de US$ 0,50 por quilo.
A maior preocupação do setor está no desempenho do couro acabado, produto de maior valor agregado e pronto para utilização pela indústria. Sua participação caiu de 7,6% para 6,2% do volume embarcado. Em termos absolutos, os embarques recuaram de 20,1 mil para 16,9 mil toneladas.
A redução impactou diretamente o faturamento. O couro acabado gerou US$ 194,2 milhões em receitas, US$ 43,7 milhões a menos que no mesmo período do ano passado. Mesmo assim, respondeu por 43,4% de toda a receita obtida com a exportação de couro, com preço médio de US$ 11,55 por quilo.
O couro semiacabado, conhecido como crust, representou 2% do volume exportado e respondeu por 10,8% do faturamento, negociado a US$ 9,10 por quilo. Já as aparas e recortes participaram com 1,1% do volume embarcado e apenas 0,2% da receita.
Valor agregado segue sendo desafio para a cadeia
O cenário observado em 2026 evidencia que o desempenho financeiro da exportação de couro não depende apenas do volume embarcado, mas principalmente da participação dos produtos com maior valor agregado.
Mesmo diante do recorde histórico de embarques, a menor presença do couro acabado e a redução da participação do wet blue contribuíram para a queda da receita total do setor. Para a pecuária brasileira, o resultado reforça a importância da agregação de valor ao couro bovino como estratégia para ampliar a rentabilidade da cadeia produtiva e fortalecer a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional.