FOTO: Pedro Silvestre l Canal Rural Mato Grosso
O abate de bovinos no Brasil atingiu um novo recorde no primeiro trimestre de 2026. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última terça-feira (16/6), o país abateu 10,29 milhões de cabeças entre janeiro e março, resultado 3,3% superior ao registrado no mesmo período do ano passado e o maior já observado para os três primeiros meses do ano na série histórica.
Os números consideram apenas os animais abatidos sob algum nível de inspeção sanitária, seja municipal, estadual ou federal.
Além do crescimento no volume de animais, o setor também registrou aumento na produção de carne. Foram geradas 2,63 milhões de toneladas de carcaças bovinas no período, avanço de 5,1% na comparação anual.
Participação de fêmeas se aproxima da metade dos abates
Um dos destaques do levantamento foi o avanço da participação de fêmeas no abate de bovinos. Entre janeiro e março, foram abatidas 5,14 milhões de fêmeas, o equivalente a 49,9% do total nacional.
O volume representa crescimento de 4,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025 e aumento de 11,1% frente ao trimestre imediatamente anterior.
Do total de fêmeas abatidas, 1,69 milhão de cabeças eram novilhas com menos de dois anos de idade, correspondendo a 32,9% dos animais do sexo feminino enviados aos frigoríficos.
Após uma forte ampliação da participação dos machos na segunda metade de 2025, o mercado voltou a observar crescimento da presença de fêmeas nos abates. O percentual ficou próximo de superar o volume de machos, cenário registrado pela última vez no segundo trimestre do ano passado.
Cenário já era previsto pela DATAGRO
O aumento da participação de fêmeas já vinha sendo projetado pela DATAGRO Pecuária. A consultoria acertou as estimativas para janeiro e março e ficou muito próxima do resultado observado em fevereiro.
Para abril, a expectativa da empresa é de que as fêmeas representem 50,7% dos abates totais, mantendo a tendência observada no início do ano.
Enquanto isso, o abate de machos somou 5,15 milhões de cabeças no primeiro trimestre. Os bois com dois anos ou mais responderam por 91,7% desse total. Na comparação anual, o abate de bois adultos avançou 1,9%, enquanto o de novilhos cresceu 6,4%.
Centro-Oeste lidera o abate de bovinos
A Região Centro-Oeste manteve a liderança nacional no abate de bovinos, concentrando 36% de toda a atividade registrada no país. Na sequência aparecem as regiões Norte (23,9%), Sudeste (21,5%), Sul (9,4%) e Nordeste (9,1%).
O crescimento nacional foi impulsionado pelo aumento dos abates em 21 das 27 unidades federativas. Entre os estados com maior expansão destacam-se Mato Grosso, São Paulo, Pará, Rio Grande do Sul e Bahia.
Por outro lado, Goiás e Mato Grosso do Sul registraram as principais reduções no volume de animais abatidos em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Mato Grosso segue na liderança nacional
No ranking dos estados, Mato Grosso permanece como o principal polo do abate de bovinos no Brasil, respondendo por 17,5% de toda a atividade nacional.
Na sequência aparecem São Paulo, com participação de 11,6%, Goiás, com 9,2%, e Pará, com 9,1%.
Os dados reforçam a força da pecuária brasileira e mostram que o aumento da oferta de animais para abate continua sendo um dos principais fatores que influenciam o mercado pecuário em 2026.