FOTO: Divulgação l Embrapa
A adoção de boas práticas de manejo e higiene tem gerado resultados concretos para a pecuária leiteira de Rondônia. Pesquisa da Embrapa, divulgada nesta terça-feira (16/6), aponta uma evolução significativa na qualidade do leite produzido no estado, com redução expressiva da contagem bacteriana e aumento da conformidade dos tanques de refrigeração aos padrões exigidos pela legislação brasileira.
Os dados mostram que a conformidade dos tanques com os limites de contagem bacteriana durante o período chuvoso passou de 36% em 2015 para 72,6% em 2022. No mesmo período, a média da contagem bacteriana caiu 69,1% durante as águas e 76,7% na estação seca. O estudo avaliou mais de 500 tanques localizados nas principais regiões produtoras do estado.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Juliana Alves Dias, responsável pela coordenação dos trabalhos, os avanços são resultado da combinação entre atualização das normas sanitárias, assistência técnica e maior conscientização dos produtores sobre a importância da qualidade do leite.

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Pesquisa identificou os principais gargalos da atividade
Responsável por cerca de 619 milhões de litros de leite produzidos em 2024, Rondônia lidera a produção leiteira da Região Norte e reúne aproximadamente 26 mil famílias na atividade.
Para entender os desafios enfrentados pelos produtores, a Embrapa realizou estudos em propriedades rurais e em tanques de resfriamento vinculados às indústrias. Os levantamentos apontaram que as principais dificuldades estavam relacionadas à contagem bacteriana elevada, consequência de falhas na higienização durante a ordenha e de problemas no resfriamento do leite.
Outro ponto de atenção identificado foi a mastite bovina. A pesquisa verificou aumento nos índices relacionados à saúde do úbere, especialmente em propriedades mais tecnificadas, indicando a necessidade de reforçar medidas preventivas e o monitoramento sanitário dos rebanhos.
De acordo com os pesquisadores, os resultados permitiram direcionar estratégias mais eficientes para atender às exigências do Programa Nacional da Qualidade do Leite (PNQL) e melhorar os indicadores sanitários da cadeia produtiva.

Boas práticas reduziram a contaminação em mais de 95%
Como parte dos estudos, a Embrapa acompanhou propriedades representativas dos sistemas de produção utilizados em Rondônia para validar protocolos de higiene adaptados à realidade local.
A implementação de medidas simples, como limpeza adequada de equipamentos, higienização de recipientes utilizados na ordenha e preparo correto dos tetos antes da retirada do leite, reduziu em mais de 95% a carga bacteriana nas propriedades avaliadas.
Os resultados deram origem a treinamentos, oficinas, materiais técnicos e ações de capacitação que alcançaram mais de cinco mil pessoas em 42 municípios do estado.
Qualidade do leite também aumenta a rentabilidade
Além dos ganhos sanitários, a melhoria da qualidade do leite tem impacto direto na renda do produtor e na eficiência industrial.
Um dos exemplos destacados pela pesquisa é o sistema de bonificação adotado por laticínios parceiros, que remuneram melhor os produtores que entregam leite dentro dos padrões exigidos pelo PNQL.
Com matéria-prima de melhor qualidade, as indústrias conseguem aumentar o rendimento na fabricação de derivados, especialmente queijos, reduzindo perdas e melhorando a rentabilidade da operação.
Para a Embrapa, os resultados comprovam que o investimento em boas práticas beneficia toda a cadeia produtiva, fortalecendo a competitividade da pecuária leiteira e ampliando as oportunidades de renda para os produtores rurais.